Efeitos das dietas com baixo teor proteico no crescimento e microbiota de porcos de engorda

As dietas com baixo teor de proteína, equilibradas com aminoácidos, podem reduzir a excreção de azoto sem afetar a eficiência no engorda dos suínos.

2026-02-12

A redução da proteína na dieta é uma estratégia reconhecida para diminuir as emissões de azoto e os custos da alimentação na produção de suínos, embora persistam dúvidas sobre o seu impacto no rendimento de crescimento e na qualidade da carne.

Objetivo: Este estudo investigou os efeitos de dietas com baixo teor proteico no crescimento, características da carcaça, microbiota intestinal e metabolismo de porcos em fase de engorda.

Métodos: Um total de 180 porcos cruzados de engorda (Duroc × Liang Guang Small Spotted, com peso inicial médio de aproximadamente 85 kg) foram distribuídos por três tratamentos alimentares durante 35 dias: uma dieta controlo (15,5% de proteína bruta), uma dieta com redução moderada de proteína (14,5% de PB) e uma dieta com uma redução ainda maior de proteína (13,5% de PB). Todas as dietas foram equilibradas com aminoácidos essenciais para satisfazer as exigências nutricionais.

Resultados: O rendimento de crescimento e a digestibilidade dos nutrientes foram mantidos em todos os tratamentos, confirmando que uma redução moderada de proteína não compromete a eficiência produtiva. No entanto, o nível de proteína na dieta influenciou as características da carcaça e os parâmetros metabólicos. Os porcos alimentados com a dieta contendo 14,5% de proteína bruta (PB) apresentaram maior espessura de toucinho, enquanto que os alimentados com a dieta contendo 13,5% de PB apresentaram alterações na composição muscular, com menores concentrações de certos ácidos gordos e aminoácidos essenciais. A redução proteica alterou também o perfil da microbiota intestinal: os porcos do grupo controlo apresentaram enriquecimento de Prevotella, Faecalibacterium e Plesiomonas, enquanto a dieta com 14,5% de PB favoreceu a presença de Eubacteriaceae, Christensenellaceae e Clostridia. A análise metabolómica sérica indicou que a redução moderada de proteína afetou a secreção biliar e o metabolismo do colesterol, enquanto uma maior redução suprimiu o metabolismo do colesterol e a biossíntese de ácidos biliares, com evidência de alterações no metabolismo dos aminoácidos.

Conclusão: Uma redução moderada da proteína da dieta, quando equilibrada com aminoácidos essenciais, mantém o rendimento de crescimento, reduz a excreção de azoto e modula beneficamente a composição muscular, a microbiota intestinal e as vias metabólicas do animal. Estas descobertas destacam as estratégias de alimentação com baixo teor proteico como uma opção viável para melhorar a qualidade da carne de porco e promover uma produção de suínos mais sustentável.

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