[Entrevista] Mecanismo de ação do Mycoplasma hyopneumoniae e formas de diagnóstico em suínos
Por Andrea Panzardi - Especialista Técnica Aves e Suínos Ouro Fino Saúde Animal
Marcela Manduca: O Mycoplasma hyopneumoniae (Mhyo) é o principal agente do complexo respiratório dos suínos. Explique como é o mecanismo de ação deste agente no organismo do suíno, para que ele seja considerado um agente primário e que leva a outros desafios respiratórios.
Andrea Panzardi: Dentro dos desafios respiratórios, o Mhyo é um agente primário, transmitido via aerógena e está presente em praticamente 90-95% das granjas. É um agente extremamente endêmico, e por isso possui uma importância muito relevante. Além disso, apresenta um impacto econômico muito grande atuando sozinho, e potencializa esse impacto com a abertura de portas para agentes secundários. Então, passa a ser um protagonista por abrir portas para os coadjuvantes.
Sabe-se que é um agente crônico, há estudos que apontam que ele possui um potencial de excreção de até 7 meses, o que equivale a, em média, 240 dias. É um agente complexo que, diferentemente de todas as outras patologias, possui uma fase aguda já crônica, que dura em torno de 0-70 dias - a fase crônica começa a partir dos 71 dias e se estende até os 200 dias.
Marcela Manduca: E em relação as formas de diagnóstico, sobre a presença do Myho nas diversas fases do sistema de produção, formas de tratamento, comente sobre.
Andrea Panzardi: Pensando em diagnóstico, é importante saber disso para entender como esse agente se comporta dentro do plantel. Grande parte do diagnóstico começa entendendo qual pergunta queremos responder. Queremos avaliar um desafio pontual? Queremos fazer uma dinâmica de circulação para saber quando ele está presente? Quero avaliar em uma fase mais precoce? Quero adequar meu protocolo vacinal na granja?
Então, todos esses aspectos são fundamentais para direcionar e solicitar o exame mais adequado. Temos muitas possibilidades, a monitoria é um ponto importante - se realizada com frequência, conseguimos detectar em qual momento esse agente está presente e isso nos permite termos tomadas de decisões mais rápidas.
Mas não podemos esquecer da tríade de diagnóstico: devemos sempre em levar consideração os sinais clínicos, lesões macro e microscópicas e a detecção do agente. Muitas vezes observamos a tosse na granja, realizamos necropsia, visualizamos as lesões clássicas, mas sabemos que o complexo de doenças respiratórias é muito presente, e é raro encontrar uma lesão pulmonar que não tenha mais de um agente associado.
A partir disso, precisamos trabalhar em cima de fatos e dados, ter coletas e monitorias periódicas. Para o diagnóstico em si, temos o isolamento bacteriano que, para o Mhyo, não é o método de eleição, por ser um agente de difícil de cultivo. Hoje, a análise de ouro é o PCR quantitativo, que é uma avaliação rápida, e fornece a carga bacteriana. Além disso, temos o ELISA para fazer a mensuração de IgG, muito utilizado para avaliação de imunidade passiva. O IgA também é importante, pensando nas características do agente, por ele se aderir ao epitélio mucociliar.