Uso do Dysantic® como substituto aos promotores de crescimento na dieta de suínos
Introdução
Os antibióticos promotores de crescimento têm sido usados ao longo de muitos anos na nutrição de suínos, mas atualmente a tendência global é o uso restrito destas moléculas devido a problemas de saúde pública principalmente no que tange à resistência bacteriana aos antimicrobianos (Ravindran, 2010), resultado do uso não consciente dos muitos princípios ativos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maior razão para o desenvolvimento de resistência aos antimicrobianos é o uso inapropriado destes medicamentos pois, de acordo com a própria OMS, mais de 50% dos antimicrobianos são prescritos de forma inadequada. O uso incoerente de antibióticos promotores de crescimento (APC) está associado com a transmissão de genes de resistência para os animais de produção e para o homem pela presença de resíduos na carne (Vondruskova et al., 2010) e também ao incremento nos riscos de doenças (Khanna et al., 2008). Por esta razão, os movimentos em prol da exclusão dos APC se generalizaram e ganharam força após a decisão da União Européia de fazê-lo em 2006 (Mevius et al., 2009).
Em contrapartida, vários aditivos alternativos aos APC vêm sendo testados e postos em prática, destacando-se os prebióticos, cujas ações abrangem a melhora da performance e da saúde intestinal por meio do incremento da redução do pH no trato gastrintestinal, estimulação da secreção enzimática, aumento da digestibilidade, exclusão competitiva, nutrição de bactérias não patogênicas, efeitos antimicrobianos diretos e indiretos, aporte de energia, entre outros (Tsiloyiannis et al., 2001b; Freitas et al., 2006; Suiryanrayna e Ramana, 2015).
Materiais e Métodos
O objetivo do trabalho foi avaliar a eficiência produtiva de suínos em crescimento e terminação alimentados com uma dieta normal mais o uso de fitogênico (Dysantic®) comparados aos animais alimentados com a dieta normal mais o uso de antibióticos promotores de crescimento. O trabalho foi realizado na granja experimental de suínos da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Autônoma de Tamaulipas, no México. A avaliação foi realizada com 60 suínos híbridos, com peso médio inicial de 20kg. O desenho experimental foi em blocos ao acaso compostos por dois tratamentos e duas repetições por tratamento, sendo a baia com 15 animais a unidade experimental.
Os tratamentos foram compostos por: T1 - Grupo tratado com o fitogênico à base de Ceratonia siliqua (alfarroba) e Thymus vulgaris (tomilho) foi utilizado à taxa de 1 kg/ton. O grupo controle positivo (T2) foi composto pelos seguintes antibióticos promotores de crescimento e suas respectivas doses por fase: (1) Tilosina à taxa de 110 ppm na inicial e crescimento, na recria 55 ppm e na terminação 27,5 ppm e, (2) Bacitracina à taxa de 55 ppm na inicial e crescimento, na recria 27,5 ppm e na terminação 13,75 ppm. Os animais foram pesados individualmente no alojamento e a cada troca de ração também foram pesados os consumos de ração e desperdício para cálculo da conversão alimentar. As variáveis analisadas foram o ganho de peso diário (GPD), a conversão alimentar (CA) e características da conformação de carcaça. Os dados foram submetidos à análise estatística utilizando o software MedCalc versão 12,7.
Resultados e Discussão
Não houve diferença estatística (P>0,05) entre os tratamentos para as variáveis conversão alimentar e ganho de peso diário como pode ser evidenciado na tabela 1. No entanto, a conversão alimentar do grupo T1 (Dysantic®) foi numericamente melhor que o grupo T2 (promotores de crescimento), o que corrobora com os resultados encontrados por outros autores (Vidanarachchi et al., 2005). A diferença foi de 90 gramas menor para os animais do grupo T1, o que representa uma diferença expressiva de 3,24% entre os tratamentos.
Tabela 1. Indicadores zootécnicos de acordo com os tratamentos experimentais.

a,b médias seguidas de letras distintas na linha indicam pelo teste de T (P<0,05). T1 - Grupo Tratado (Dysantic®- 1kg/ton); T2 - Controle positivo (Tilosina + Bacitracina).
Fixando o peso de abate dos animais em 120kg e aplicando as conversões alimentares encontradas neste experimento, temos uma economia de 9kg de ração por animal terminado em favor do grupo T1. Levando em consideração os valores atuais das matérias-primas para produção das rações, principalmente no que tange o farelo de soja e o milho, principais componentes das rações, o valor economizado é muito expressivo principalmente quando o colocamos em escala de produção, pois se extrapolarmos estes dados há uma integração de 70 mil matrizes, ao final de um ano, estamos falando em uma economia aproximada de 16.065 toneladas de ração.
Quando olhamos outro indicador, que é a Eficiência Alimentar (EA), que é um dado que analisa em conjunto ganho de peso diário e conversão alimentar, temos que no experimento os animais do grupo 1 tiveram uma EA numericamente superior ao grupo dos animais tratados com promotores de crescimento (T2), ou seja, os animais que consumiram Dysantic® foram mais eficientes durante o experimento. Além dos indicadores de desempenho, um indicador muito importante a ser avaliado é a uniformidade do lote. Vários aditivos naturais favorecem o crescimento das bactérias benéficas que irão fazer parte da exclusão competitiva, na regulação da microbiota intestinal, na redução dos quadros entéricos e, consequentemente, na melhora do desempenho dos animais, mostrada também na uniformidade geral do lote.

Figura 1. Coeficiente de variação da curva de crescimento dos animais de acordo com os tratamentos experimentais.
Na figura 1, podemos observar que os animais do Grupo 1 tiveram um coeficiente de variação menor em relação ao Grupo 2, principalmente no que se refere ao final do lote. Além de ser um bom termômetro da sanidade geral do rebanho, a uniformidade do lote, ou seja, um menor coeficiente de variação entre os animais é especialmente importante para a maximização do aproveitamento a nível de frigorífico. Os antimicrobianos utilizados nas rotinas das granjas com promotores de crescimento ou para tratamentos terapêuticos não possuem seletividade, ou seja, vão agir sobre toda a gama de bactérias para o qual foram concebidos, sem diferenciar as bactérias patogênicas das bactérias benéficas pertencentes à microbiota normal dos animais, o que acaba provocando a disbiose. Em contrapartida, alguns fitogênicos têm a capacidade de não inferir negativamente na microbiota comensal dos animais, mas, ao contrário, irão servir de substrato para as bactérias benéficas, promovendo o equilíbrio da microbiota através do qual há uma redução das bactérias patogênicas ao mesmo tempo em que há uma recolonização com bactérias benéficas (eubiose), melhorando a qualidade intestinal através da modulação da microbiota, que se traduz em melhor conversão alimentar e incremento no ganho de peso.
Quando analisamos alguns dos parâmetros utilizados para avaliação da qualidade de carcaça (tabela 2) dos animais também não evidenciamos diferença estatística (P>0,05) entre os tratamentos, porém, quando olhamos para o olho da chuleta, vemos uma diferença numérica interessante a favor do grupo T1, indicador que pode estar impactando positivamente no rendimento do frigorífico.
Conclusões
O uso indiscriminado dos antimicrobianos vem colaborando para a ocorrência de resistência das bactérias, portanto , o uso desses medicamentos na produção animal está cada vez mais restrito e, desta forma, produtos alternativos vêm se tornando uma opção interessante.
Tabela 2. Indicadores zootécnicos de acordo com os tratamentos experimentais.

a,b médias seguidas de letras distintas na linha indicam pelo teste de T (P<0,05). T1 - Grupo Tratado (Dysantic® - 1kg/ton); T2 - Controle positivo (Tilosina + Bacitracina).
Dietas de suínos em crescimento e terminação suplementadas com Dysantic® propiciam resultados numéricos superiores aos antibióticos promotores de crescimento. Com base nos resultados obtidos neste trabalho, pode-se concluir que o Dysantic® é uma alternativa promissora aos antimicrobianos promotores de crescimento utilizados na suinocultura, pois, além de apresentar resultados zootécnicos numericamente superiores, por se tratar de um produto natural possui a principal vantagem de não induzir ou gerar resistência bacteriana.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Ravindran, V. (2010). Aditivos en alimentación animal: presente y futuro. Institute of food, nutrition and human health, Massey University, Palmerston. XXVI curso de especialización FEDNA.
Vidanarachchi, J. K., Mikkelsen, L. L., Sims, I., Iji, P. A., & Choct, M. (2005). Phytobiotics: alternatives to antibiotic growth promoters in monogastric animal feeds. Recent Advances in Animal Nutrition in Australia, 15, 131-144.
Wenk, C. (2003). Herbs and botanicals as feed additive in monogastric animals. Asian–Australasian Journal of Animal Science 16, 282–2.
WHO. (2020). A falta de novos antibióticos ameaça os esforços globais para conter infecções resistentes a medicamentos. Disponível em: https://www.who.int/lack-of-new-antibiotics-threatens-global-efforts-to-contain-drug-resistant-infections.
Freitas, L.S. et al. (2006). Avaliação de ácidos orgânicos em dietas para leitões de 21 a 49 dias de idade. R. Bras. Zootec., Viçosa, v. 35, n. 4, supl. p. 1711-1719, Aug.
Tsiloyiannis, V.K.; Kyriakis, S.C.; Vlemmas, J. et al. (2001b). The effect of organic acids on the control of porcine post-weaning diarrhoea. Research in Veterinary Science, v.70, p.287-293.
TsiloyiannisY.; Kuang, Y. Zhang, Y. et al. (2016b). Rearing conditions affected responses of weaned pigs to organic acids showing a positive effect on digestibility, microflora and immunity. Anim Sci; 87: 1267 e 80.