[Entrevista] Perdas de produtividade na suinocultura causadas por Mycoplasma hyopneumoniae
Por Andrea Panzardi - Especialista Técnica Aves e Suínos Ouro Fino Saúde Animal
Marcela Manduca: Andrea, com relação aos índices zootécnicos, você pode nos mensurar o quanto a pneumonia enzoótica impacta na conversão alimentar, GPD, e em termos de produtividade de forma geral?
Andrea Panzardi: O Mycoplasma hyopneumoniae (Mhyo) pode gerar um prejuízo econômico grande, se estiver associado a um agente secundário, e baixo, se estiver atuando sozinho; mas o animal não morre de Mhyo. Temos diversos estudos mostrando as questões econômicas, os índices zootécnicos: as perdas por Mhyo isolado gira em torno de centavos a 1 dólar; mas, se tivermos um agente oportunista associado, temos um aumento de praticamente 10 vezes, falando principalmente em Influenza - que está presente endemicamente nas granjas, não é mais sazonal. Além de outros agentes como Pasteurella, Haemophillus, etc.
Os prejuízos são inúmeros, a redução de GPD é notável, os animais infectados demoram a atingir o peso de abate, há uma piora da conversão alimentar, o que é natural para um animal que está tossindo, sem comer. O que mais chama atenção em estudos recentes, é que dentro da área de consolidação pulmonar, a cada 1% de aumento dessa área temos em torno de 2g de perdas de GPD - somando esse percentual, vezes o volume de animais, pelo tempo dessas lesões até a terminação - então o prejuízo é bem impactante.
Pensando no curso longo e crônico de Mhyo, a taxa de transmissão é baixa. Uma leitoa tem capacidade de transmitir, em 1 semana, para 1.6 fêmeas no máximo. Fazendo uma analogia com o Influenza, essas mesmas leitoas, infectadas por Influenza, conseguem em uma semana transmitir para 7 a 8 animais; é um agente que precisamos estar de olho, por ser um agente de rápido contágio. Importante deixar claro que o Influenza é um vírus imunodepressor e precisamos tomar cuidado que, no momento da vacinação dos leitões ao desmame, se houver algum fator de risco, irá prejudicar a resposta imunológica do animal, e isso não está relacionado à vacina e sim ao desafio sanitário.
Temos que pensar que o protocolo vacinal é importante, mas ele não é o milagre da granja. Existe um universo de ações e fatores de riscos associados que devem ser controlados e mensurados, para que a gente consiga chegar ao desmame com leitões de qualidade e capacidade de responder àquela vacinação.