Ferramenta Auxiliar no Controle de Desafios Respiratórios dos Suínos
Devido aos sistemas de produção intensivos da suinocultura atual, a maioria das categorias de suínos vive em ambientes com altas densidades, aumentando desta forma a disseminação de agentes infecciosos.
Os quadros respiratórios em suínos possuem vários agentes envolvidos. Dentre ele, destacam-se:
- Mycoplasma hyopneumoniae
- Pasteurella multocida
- Actinobacillus pleuropneumoniae
- Bordetella bronchiseptica
- Haemophilus parasuis
- Influenza
Existe uma relação direta entre a ocorrência de problemas respiratórios pelos agentes citados, o ambiente em que os suínos são mantidos e o manejo utilizado, merecendo destaque:
- Baixa ventilação com acúmulo de gases irritantes à mucosa respiratória;
- Densidade inadequada de animais;
- Partículas em suspensão (pó);
- Oscilações de temperatura;
- Mistura de animais de diferentes origens;
- Higiene das instalações;
- Estresse crônico.
De forma geral, os problemas respiratórios afetam o ganho de peso diário dos suínos por diminuir o consumo de alimento e gastar energia para processar as enfermidades. Esta energia deixa de ser utilizada para deposição muscular, piorando a conversão alimentar (C.A.). Em casos de mortalidade, os índices gerais da granja acabam sendo agravados.
Para cada 10% de tecido pulmonar afetado por pneumonia, o ganho de peso (GPD) é reduzido em 22-37 g/dia. Estudos na Alemanha revelam uma redução de GPD de 34-50 g/dia em suínos com lesões pulmonares comparados a suínos sadios (Klawitter, 1988). Na Dinamarca uma combinação entre pneumonia enzoótica (Micoplasma hyopneumoniae) e APP (Actinobacillus pleuropneumoniae) resultou em uma diminuição de crescimento de 30,3 a 58,8 g/dia (Baekbo, 2002).
A tosse é um dos principais sinais clínicos observados em desafios respiratórios. É um mecanismo de defesa para eliminar o excesso de secreções e micro-organismos, por isso é importante avaliar a conveniência em suprimi-la ou fluidificar as secreções para que o processo seja mais curto e a recuperação do suíno permita sua correta alimentação, sem esforço respiratório.
As drogas utilizadas para aliviar este comprometimento respiratório, além dos antimicrobianos específicos para cada agente, estão direcionados ao controle da tosse, das secreções bronquiais e da bronco-constrição.
Existem vários fármacos com diferentes mecanismos de ação: bronco-dilatadores, antitussígenos e mucolíticos expectorantes. Dentro desta última categoria, está a Bromexina.
A Bromexina é uma droga semi-sintética extraída da planta Adhatoda vasica. É responsável por aumentar a produção de muco e torná-lo mais fluido, aumentando a fração líquida do mesmo. Desta forma, é considerada um mucolítico expectorante, exercendo as seguintes atividades:
- Ação secretora (promove a eliminação do muco, facilita a expectoração e alivia a tosse produtiva);
- Aumenta a atividade dos cílios (varredura de substâncias);
- Exerce dilatação bronquial;
- Ação anti-inflamatória e antioxidante (bloqueia radicais livres e reduz a liberação de histamina, relacionada aos processos inflamatórios);
- Efeito anestésico local (bloqueio do canal de sódio a nível da membrana celular);
- Atua na resposta imune local (aumenta macrófagos pulmonares e IgA e IgG);
- Aumenta a concentração de antimicrobianos nos alvéolos pulmonares e nas secreções bronquiais.
AGENTE MUCOLITICO A BASE DE BROMEXINA A 1%
É um mucolítico e expectorante composto por Bromexina 1%. Pode ser administrado pela via oral na água de bebida ou pela via respiratória por meio de nebulização.
Possui rápida absorção, alcançando níveis terapêuticos em 1,5 horas. Com vida média de 7 horas, sua eliminação ocorre via urina, em 24 horas após sua administração.
Indicações de uso do AGENTE MUCOLITICO A BASE DE BROMEXINA A 1%:
- Estresse térmico;
- Reações vacinais;
- Enfermidades respiratórias;
- Micotoxinas: Fumonisinas;
- Terapia de apoio associado à antimicrobianos;
- Irregularidades de manejo: densidade, ventilação, temperatura;
- Nebulização como profilaxia respiratória.
Estratégias de uso de AGENTE MUCOLITICO A BASE DE BROMEXINA A 1%
O AGENTE MUCOLITICO A BASE DE BROMEXINA A 1% é uma importante ferramenta para situações onde existam riscos de comprometimento respiratório, podendo este ser infeccioso, ambiental ou associado.
Nas situações onde se faz uso de antimicrobianos, a associação com um agente monolítico a base de Bromexina a 1%, permitirá a chegada da droga no tecido pulmonar em maior concentração, podendo exercer de forma mais eficiente sua ação.
Na ocorrência de enfermidades virais respiratórias, como é o caso da Influenza, sabe-se que até o momento não existem drogas efetivas para o tratamento. Desta forma, procura-se minimizar os sintomas clínicos da doença, facilitando a condição respiratória dos suínos comprometidos.
Ensaios de Campo:
O agente monolítico a base de Bromexina a 1% foi avaliado associado com um antimicrobiano macrolídio sobre a atividade imunomoduladora do sistema respiratório.
Os produtos estudados, associados ou não, atuam como ativadores de macrófagos pulmonares. Dessa forma, além das funções específicas de cada medicamento (antimicrobiano e mucolítico/secretolítico), eles podem ajudar na eliminação de agentes respiratórios infecciosos, através de funções imunomoduladoras.
Número de macrófagos pulmonares (mm2) Imunomodulação

Grupo 1: Controle - Sem tratamento
Grupo 2: Tratamento com ATB
Grupo 3: Tratamento com Agente monolítico a base de Bromexina a 1%
Grupo 4: Tratamento com ATB + Agente monolítico a base de Bromexina a 1%
Microfotografias Histológicas (Coloração de Giemsa)

Número de macrófagos pulmonares (mm2).